O Projeto

Para dar início ao projeto, as grafiteiras do Coletivo Caravana desenharam e fixaram nos muros do Centro Comunitário do Novo Horizonte as imagens de duas mulheres importantes que têm vínculo com o território: Hilda de Souza, que foi homenageada com a escolha de seu nome para batizar o espaço, e Mayra Kristina Camargo, ativista cultural, atriz, rapper, educadora infantil e uma das responsáveis pelo “Barranco Cultural/Cine Barranco”, espaço para manifestações culturais no bairro Santa Fé. A proposta contemplou, simultaneamente à grafitagem, intervenções teatrais com as artistas Eva Prudêncio, Tiara Silva, Magna Eliez e Dafni Fernanda; além da dança, por
meio das intervenções com as artistas Marcinha Vila África e Tay Corvinus. Para compor a programação, houve discotecagem com a DJ Brendão.

Durante toda a tarde o convite era para que as pessoas participassem da celebração à vida de mulheres que foram e são importantes para a cultura e a produção artística de Piracicaba. O encontro reuniu as grafiteiras do Coletivo Caravana, que concretizaram o tributo à história da pintora Ida Schalch, que nasceu ao final do século XIX, participou daquela que foi considerada a primeira exposição de pintura da cidade, em 1920, na chamada Universidade Popular e impactou a formação em dezenas de gerações de piracicabanas (os) voltados à pintura, por sua profunda consciência de artista, em tempos onde as mulheres enfrentavam todo tipo de preconceito. A imagem de Ida foi reverenciada ao lado de outra ilustre mulher piracicabana, Thereza Alves, que com mais de 65 anos de atividade como cantora, recebeu em 2018 o Troféu Governador do Estado na área de música, escolhida pelo voto popular. Essas duas potências, Ida e Thereza, tiveram suas imagens grafitadas no muro externo do estúdio Aragem e, para compor a programação, aconteceram intervenções artísticas com as atrizes Paula Ibañez e Alessandra San Martin e com as dançarinas Vivian Trivelin e Evelin Helena.

A atividade “Roda de conversa: mulheres na arte e na produção cultural” buscou possibilitar o encontro, a percepção do outro, o pertencimento, um espaço de troca horizontal e o olho no olho. Com essa perspectiva, o projeto Mátria Amada Brasil preparou essa roda de conversa entre mulheres artistas, educadoras, pesquisadoras e produtoras culturais sobre o protagonismo das mulheres na cultura piracicabana. A ação contou com a participação de mulheres surdas, por meio da parceria com a Assupira (Associação de Surdos Libras Piracicaba), e teve tradução em Libras, realizada pela intérprete Shalimar Laureano. As histórias de vida carregam aprendizagens que quando compartilhadas podem gerar afetos e relações que fortalecem nossa experiência humana. Para esse encontro, as convidadas Fernanda Ferreira, Thereza Alves, Mirian Rother e Julia Madeira partilharam suas experiências. A mediação desse círculo feminino de conversa de mulheres fazedoras de cultura foi conduzida por Thelícia Canabarra, que abordou, como um dos alicerces para a partilha, o conceito de “Sankofa”, um provérbio africano que sugere a ideia de manter a cabeça voltada à ancestralidade, às raízes, para poder realizar o potencial para avançar.

Com apresentações musicais no Largo dos Pescadores, projeto Mátria Amada Brasil lançou portfólio online sobre as histórias das mulheres piracicabanas nas artes e na cultura. O trabalho sobre as biografias de mulheres ancestrais e contemporâneas que foram e são relevantes para o contexto cultural e artístico de Piracicaba é um dos legados simbólicos que o projeto Mulheres em Ação: Mátria Amada Brasil compartilha sobre parte da história da cidade, pela perspectiva das subjetividades femininas. O resultado do trabalho foi celebrado no sábado, dia 3 de junho, em um evento aberto e gratuito que reuniu muita música, com diversos shows e discotecagem. Para dar o tom a esse momento de celebração, a DJ Carol Cavassani ambientou o espaço, que recebeu também a apresentação do Trio de Choro composto pelas instrumentistas Rafaela Mafaldo, Beatriz Vanuchi e Luana Paula. A programação contou também com a apresentação “4 MP a fazer Rap”, que trouxe a força e potência de quatro mulheres pretas fazendo rap, com Mayra Kristina, Arilene Teodoro, Isabela e Gabriele Camargo. Além do show “beijos”, no qual a cantora, compositora e instrumentista Natalia Cabral apresentou suas músicas autorias e releituras de canções da eterna Rita Lee.

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